Mais de 400 cidadãos moçambicanos pisaram novamente solo pátrio esta quarta-feira, regressando à província de Gaza após serem forçados a abandonar a África do Sul em meio a uma perigosa escalada de violência xenófoba que deixou um rasto de destruição e terror entre as comunidades estrangeiras no país vizinho.
A travessia da fronteira aconteceu em circunstâncias dramáticas. Os repatriados descrevem cenas de pânico absoluto: ataques repentinos, propriedades incendiadas, bens perdidos e mortes de cidadãos estrangeiros que não conseguiram escapar a tempo. Famílias inteiras foram separadas durante a fuga desesperada, sem que houvesse tempo para despedidas ou para salvar o que quer que fosse.
“Saímos apenas com a roupa que tínhamos no corpo”, contam vários dos regressados. Documentos de identificação, dinheiro, pertences acumulados ao longo de anos — tudo ficou para trás. A única certeza era a necessidade de sobreviver.
Entre os que regressaram, encontram-se mulheres grávidas, crianças e idosos, todos chegando em estado de grande vulnerabilidade. Segundo registos a que a Miramar teve acesso, muitos chegaram visivelmente abalados, com marcas físicas e emocionais do que vivenciaram nos últimos dias.
O regresso em massa levanta agora questões urgentes sobre o acolhimento e apoio às vítimas — pessoas que, além do trauma, chegam sem recursos, sem documentação e sem perspectivas imediatas de recomeço.
Situação continua a ser acompanhada pelas autoridades moçambicanas