Documentos registados nos EUA alegadamente revelam contratação de serviços de comunicação e lobby para projetar a imagem do Presidente moçambicano no exterior após as eleições de 2024
O presidente da ANAMOLA, Venâncio Mondlane, veio a público denunciar a existência de uma alegada campanha internacional de relações públicas montada para promover a imagem do Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, no período que se seguiu às eleições gerais de 2024.
Segundo Mondlane, a prova estaria em documentos formalmente registados junto do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no âmbito da lei norte-americana que obriga ao registo de agentes estrangeiros que atuam em nome de governos ou figuras políticas internacionais — conhecida como FARA (Foreign Agents Registration Act).
O que dizem os documentos?
De acordo com as declarações do líder da ANAMOLA, os registos revelariam a contratação de empresas especializadas em comunicação estratégica e lobby, com o objetivo de:
- Reforçar a projeção internacional de Daniel Chapo;
- Influenciar decisores políticos e instituições estrangeiras;
- Gerir a imagem do Presidente junto dos principais meios de comunicação internacionais.
A posição de Mondlane
Para Venâncio Mondlane, as revelações levantam sérias questões sobre a transparência e a legitimidade do governo de Daniel Chapo, num contexto em que Moçambique ainda atravessa uma profunda crise política e social na sequência do contestado processo eleitoral de outubro de 2024.
Mondlane considera que o recurso a serviços de lobby internacional, a serem confirmados, representaria uma tentativa de “limpar” a imagem de um governo que enfrenta graves acusações internas, incluindo alegações de fraude eleitoral e repressão de manifestantes.
Contexto
As eleições gerais moçambicanas de 2024 foram marcadas por forte contestação, com Mondlane a reclamar a vitória e a denunciar irregularidades no processo eleitoral. Os resultados oficiais deram a vitória a Daniel Chapo, candidato da FRELIMO, partido no poder há décadas em Moçambique.
Desde então, o país tem vivido momentos de grande tensão, com manifestações, confrontos e uma crise de legitimidade que continua a dividir a sociedade moçambicana.
As alegações de Venâncio Mondlane aguardam confirmação independente. Até ao momento, o governo moçambicano não emitiu qualquer declaração oficial em resposta às acusações.