Um vídeo que circula nas redes sociais gerou forte reacção pública em Moçambique após mostrar dois agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) a pedir perdão ao Presidente da República, Daniel Chapo, depois de terem sido apanhados em flagrante a furtar pacotes de massa alimentar numa loja pertencente a um cidadão burundês, na Matola.
Os agentes identificados como Ângelo Dengo e Carlos Pascual, pertencentes ao Município da Machava, foram surpreendidos pelo próprio dono do estabelecimento no momento do furto. Confrontados e sem escapatória, os dois polícias prestaram uma declaração pública em que assumiram os actos praticados e pediram desculpas ao Chefe de Estado pelo comportamento que — nas suas próprias palavras — desonra a farda e a instituição que representam.
Como justificação para o sucedido, os agentes alegaram estar a atravessar uma situação de carência alimentar extrema, atribuindo o desespero ao atraso no pagamento dos seus salários. Segundo os próprios, os vencimentos estariam a demorar a entrar nas respectivas contas bancárias, deixando-os sem meios para garantir a subsistência.
O caso chocou o país e reacendeu o debate sobre as condições de trabalho e remuneração das forças de segurança moçambicanas, ao mesmo tempo que levanta questões sérias sobre a conduta de agentes que deveriam ser guardiões da ordem e da propriedade dos cidadãos.